Flávio Bolsonaro quer se inspirar em Milei: quais seriam os riscos para a economia brasileira?

Resumo: A equipe econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro afirmou que pretende buscar inspiração nas reformas de Javier Milei caso o senador seja eleito. Entre as ideias mencionadas estão revisão de mais de mil normas, redução da burocracia e ajuste dos gastos públicos. A experiência argentina, porém, reúne simultaneamente resultados positivos na inflação e nas contas públicas e problemas em setores como indústria e emprego. E importar partes desse modelo para uma economia estruturalmente diferente como a brasileira traz riscos que precisam entrar na discussão.

O que Flávio Bolsonaro pretende copiar de Milei?

Não existe, até agora, anúncio de que Flávio Bolsonaro pretende reproduzir integralmente o programa econômico argentino.

O que existe é uma declaração bastante explícita de sua coordenadora econômica, Daniella Marques, de que a experiência de Javier Milei servirá de inspiração para um eventual governo.

Entre as propostas apresentadas pela equipe estão o mapeamento de mais de mil normas infralegais para possível revogação, redução de burocracia e um programa de ajuste fiscal.

Marques também afirmou que programas sociais seriam preservados e que uma eventual proposta de corte de gastos seria submetida ao Congresso.

Portanto, existe uma diferença importante entre inspirar-se no governo Milei e simplesmente copiar o governo Milei.

A questão econômica relevante é outra:

quais partes dessa experiência poderiam ser transportadas para o Brasil e quais consequências elas poderiam produzir?

O paradoxo argentino: Milei conseguiu resultados importantes, mas eles não contam a história inteira

Uma crítica séria à experiência argentina precisa começar reconhecendo aquilo que efetivamente melhorou.

A inflação argentina, que estava em níveis extraordinariamente elevados quando Milei assumiu, caiu fortemente. Em agosto de 2026, o índice mensal oficial ficou em 1,7%.

O país também recuperou superávits fiscais primários, e o FMI reconheceu avanços na estabilização macroeconômica.

Isso importa.

Seria intelectualmente frágil analisar a experiência argentina ignorando esses resultados.

O problema começa quando esses números são tratados como prova suficiente de que o mesmo pacote deveria ser aplicado em outro país.

Porque outros indicadores argentinos apresentam um quadro menos confortável.

A taxa de desemprego chegou a 7,8% no primeiro trimestre de 2026. Em julho, a produção industrial manufatureira registrou queda de 5% na comparação anual. A utilização da capacidade instalada da indústria estava em apenas 58,2%.

O próprio FMI descreveu a recuperação argentina como desigual, observando desempenho mais fraco justamente em setores intensivos em trabalho, como construção e indústria.

Em outras palavras: estabilizar variáveis macroeconômicas e melhorar simultaneamente emprego, produção industrial e renda não são necessariamente a mesma coisa.

1. O primeiro risco é acreditar que Brasil e Argentina são laboratórios equivalentes

Esse talvez seja o maior problema de qualquer tentativa de importar modelos econômicos.

Milei assumiu uma Argentina enfrentando inflação superior a 200% ao ano, graves desequilíbrios cambiais, déficit fiscal e uma longa história recente de controles econômicos.

O Brasil de 2026 possui outra estrutura econômica, outra moeda, outro sistema financeiro, outro desenho federativo e outra situação inflacionária.

Portanto, uma política que produziu determinado efeito na Argentina não necessariamente produziria o mesmo resultado no Brasil.

É como olhar para um remédio que funcionou em um paciente e concluir que ele deve ser prescrito automaticamente para outro.

O diagnóstico importa tanto quanto o tratamento.

2. Cortar gasto público não significa automaticamente cortar desperdício

“Tesouraço” é uma expressão politicamente eficiente.

Economicamente, porém, falta responder à pergunta principal:

onde exatamente será feito o corte?

O orçamento brasileiro possui despesas obrigatórias, Previdência, transferências constitucionais, saúde, educação, investimentos públicos, funcionalismo e uma extensa estrutura federativa.

A equipe de Flávio afirma que pretende preservar programas sociais e concentrar esforços na estrutura administrativa e nos benefícios tributários.

Essa distinção é relevante.

Mas, enquanto não houver detalhamento dos valores e das despesas atingidas, não é possível saber quais seriam os efeitos concretos.

Uma redução de desperdícios administrativos produz consequências muito diferentes de uma redução de investimento público.

Cortar R$ 1 bilhão de burocracia não produz o mesmo impacto econômico de retirar R$ 1 bilhão de obras de infraestrutura.

A palavra “corte”, sozinha, diz pouco.

3. Um “revogaço” pode eliminar burocracia — ou eliminar regras importantes

O mesmo vale para a promessa de revisar mais de mil normas.

Desburocratizar pode ser positivo.

Empresas brasileiras convivem com uma estrutura regulatória complexa, custos elevados de conformidade e regras sobrepostas.

Mas quantidade de normas eliminadas não deveria ser utilizada como indicador automático de eficiência.

Regulações existem por motivos muito diferentes.

Algumas podem ser obsoletas.

Outras estabelecem padrões ambientais, sanitários, financeiros, trabalhistas, concorrenciais ou de proteção ao consumidor.

Portanto, a pergunta economicamente relevante não é:

“quantas normas serão eliminadas?”

É:

“quais normas serão eliminadas e quais problemas elas solucionavam?”

Revogar mil normas ruins pode aumentar eficiência.

Revogar mil normas apenas para atingir uma meta política de desregulamentação pode gerar insegurança jurídica.

4. A indústria brasileira poderia sentir uma abertura comercial abrupta

A experiência argentina também oferece um alerta sobre velocidade.

A abertura econômica pode aumentar competição, reduzir preços e obrigar empresas pouco eficientes a melhorar.

Mas uma abertura muito rápida também expõe setores nacionais a concorrentes estrangeiros antes que tenham condições de adaptação.

Na Argentina, a indústria tem apresentado dificuldades mesmo em meio à melhora de outros indicadores macroeconômicos.

Em julho de 2026, a produção industrial manufatureira estava 5% abaixo do mesmo período do ano anterior.

Para o Brasil, essa discussão é particularmente importante.

O país possui cadeias industriais relevantes em automóveis, máquinas, alimentos, química, siderurgia, medicamentos e outros setores.

Uma política de abertura comercial precisaria considerar produtividade, infraestrutura, tributação e custo de capital brasileiro.

Caso contrário, pode-se reduzir a proteção antes de reduzir o chamado “Custo Brasil”.

5. Existe diferença entre equilíbrio fiscal e austeridade mal calibrada

Equilibrar as contas públicas é importante para qualquer governo.

Déficits persistentes podem pressionar dívida, juros e expectativas.

Mas a velocidade e a composição do ajuste também importam.

Uma consolidação fiscal feita principalmente pela redução de desperdícios possui determinado impacto.

Outra baseada em cortes abruptos de investimento possui consequências diferentes.

Infraestrutura é um exemplo simples.

Cortar investimento em estradas melhora imediatamente uma linha do orçamento.

Mas uma estrada que deixa de ser construída também pode significar menor produtividade, menos investimento privado e maiores custos logísticos no futuro.

Por isso, uma análise fiscal não deveria perguntar apenas quanto será cortado, mas o que será cortado.

6. A queda da inflação argentina não encerrou o debate sobre o modelo

Existe um argumento forte em defesa do governo Milei: a inflação caiu drasticamente.

Isso é fato.

E inflação elevada também possui enorme custo social, especialmente para os mais pobres, que têm menos mecanismos para proteger renda e patrimônio.

Ao mesmo tempo, o desempenho de outros indicadores mostra por que reduzir a discussão econômica a uma única variável é perigoso.

O desafio de qualquer programa econômico é conseguir simultaneamente estabilidade de preços, sustentabilidade fiscal, crescimento da produtividade, emprego e aumento da renda real.

É essa combinação — e não apenas uma estatística isolada — que permitirá avaliar o resultado da experiência argentina ao longo dos próximos anos.

Então o modelo de Milei daria certo no Brasil?

Ainda não existe informação suficiente para responder.

Primeiro porque não há um plano econômico completo e detalhado da candidatura de Flávio Bolsonaro que permita calcular seus impactos.

Segundo porque “modelo Milei” engloba políticas muito diferentes: equilíbrio fiscal, desregulamentação, abertura comercial, reformas trabalhistas, mudanças cambiais e redução do tamanho do Estado.

Cada uma delas pode produzir consequências distintas.

Terceiro porque Brasil e Argentina partem de condições econômicas diferentes.

A discussão, portanto, não deveria ser simplesmente se o Brasil deve ou não “virar a Argentina”.

Deveria ser muito mais específica:

Quais gastos seriam cortados?

Quais normas seriam revogadas?

Quais impostos seriam reduzidos e como a perda de arrecadação seria compensada?

Qual seria o impacto sobre indústria, emprego e investimento?

Quanto o ajuste economizaria efetivamente?

Sem essas respostas, “seguir Milei” funciona melhor como slogan político do que como descrição de uma política econômica mensurável.

Conclusão

A experiência de Javier Milei oferece elementos que podem alimentar o debate econômico brasileiro.

A Argentina conseguiu reduzir dramaticamente a inflação e reconstruir seu resultado fiscal. Ao mesmo tempo, enfrenta fragilidades em áreas como indústria e mercado de trabalho, e a recuperação tem sido desigual entre setores.

Esses dois lados precisam aparecer juntos.

Da mesma maneira, propostas de Flávio Bolsonaro como desburocratização e revisão de gastos não podem ser avaliadas apenas pelo número de normas eliminadas ou pelo tamanho anunciado de um “tesouraço”.

O impacto dependerá fundamentalmente de quais regras serão eliminadas, quais despesas serão cortadas e em qual velocidade as mudanças ocorrerão.

É aí que está a discussão econômica mais importante.

Não em decidir se Milei é um modelo de sucesso ou fracasso, mas em compreender quais foram os resultados concretos de suas políticas — positivos e negativos — antes de tentar adaptá-las a uma economia diferente e muito maior como a brasileira.

O que aconteceu com a vida dos argentinos durante o choque de Milei?

Olhar apenas para inflação e superávit fiscal produz uma fotografia incompleta da experiência argentina.

Javier Milei assumiu em dezembro de 2023 uma economia que já estava em situação extremamente grave. Portanto, seria incorreto atribuir a ele a origem da crise: naquele mês, a inflação chegou a 25,5% apenas em dezembro e a cesta básica alimentar acumulava alta de 258,2% em 12 meses.

O tratamento aplicado pelo novo governo também foi radical.

Milei promoveu forte ajuste das contas públicas, redução de subsídios, desregulamentação e cortes no Estado. O resultado macroeconômico mais evidente apareceu na inflação: em agosto de 2026, ela havia caído para 1,7% no mês.

É uma mudança gigantesca.

Só que a pergunta para quem pretende usar a Argentina como inspiração para o Brasil precisa ir além: qual foi o custo social desse processo e quem o pagou?

Pobreza explodiu no começo do governo — e depois recuou

Esse é um dos melhores exemplos de por que a experiência Milei não cabe em slogans.

No segundo semestre de 2023, antes de Milei assumir, 41,7% da população dos 31 aglomerados urbanos pesquisados pelo INDEC estava abaixo da linha da pobreza.

No primeiro semestre de 2024, já sob o choque econômico inicial do novo governo, o indicador disparou para 52,9%.

Mais da metade da população pesquisada estava abaixo da linha da pobreza.

Posteriormente, porém, houve uma reversão importante.

No segundo semestre de 2025, a pobreza havia caído para 28,2%, enquanto a indigência estava em 6,3% — aproximadamente 1,9 milhão de pessoas no universo pesquisado pelo INDEC.

Portanto, duas coisas são verdadeiras simultaneamente: o começo do ajuste foi acompanhado por uma deterioração social brutal, mas os indicadores de pobreza posteriormente melhoraram de forma expressiva.

Essa trajetória importa para o Brasil porque mostra o risco de tratar ajuste econômico como se seu único indicador relevante fosse o saldo fiscal.

O desemprego também está acima do nível encontrado por Milei

Quando Milei assumiu, a taxa de desemprego argentina estava em aproximadamente 5,7% no quarto trimestre de 2023.

No primeiro trimestre de 2026, estava em 7,8%.

E existe outro sinal preocupante.

A produção industrial manufatureira caiu 5% em julho de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a utilização da capacidade instalada da indústria estava em apenas 58,2%.

Isso ajuda a explicar uma das principais críticas à estratégia econômica argentina: estabilizar preços e contas públicas não significa automaticamente produzir uma recuperação uniforme da economia real.

O próprio FMI já descreveu a recuperação como desigual, especialmente em setores intensivos em mão de obra.

Para trabalhadores e pequenos empresários, inflação menor é uma conquista importante. Mas desemprego, fechamento de empresas, renda e demanda também entram na conta.

É justamente aí que a promessa brasileira de um “tesouraço” merece muito mais detalhes do que um slogan de campanha.

A aprovação de Milei mostra uma Argentina dividida

Outro erro seria dizer simplesmente que “os argentinos rejeitaram Milei”.

Pesquisas de opinião variam conforme instituto, metodologia e período, e não existe uma única “taxa de aprovação da população”.

Levantamentos divulgados em 2026 mostram deterioração da avaliação do governo em algumas pesquisas, enquanto outras ainda encontram uma base relevante de apoio ao presidente.

A reportagem do ICL utilizada como referência neste artigo cita pesquisas segundo as quais a desaprovação chegou a aproximadamente 60%, atribuindo o desgaste principalmente às dificuldades econômicas sentidas pela população.

Esse número deve ser tratado como resultado de pesquisa específica, não como uma estatística oficial ou consenso de todos os institutos.

Ainda assim, existe uma questão política importante: os resultados macroeconômicos celebrados pelo governo argentino não significam necessariamente que todos os segmentos da população estejam percebendo melhora semelhante em sua vida cotidiana.

Essa diferença entre indicadores macroeconômicos e sensação econômica das famílias é justamente uma das lições que o Brasil deveria observar antes de transformar Milei em modelo.

E o Pix? O alinhamento com Trump cria uma contradição interessante

Existe ainda uma questão que merece atenção porque atinge diretamente trabalhadores autônomos e pequenos empresários brasileiros: o Pix.

O governo de Donald Trump abriu uma investigação comercial contra o Brasil em 2025. Entre vários pontos analisados estavam os serviços de pagamentos eletrônicos.

Posteriormente, o governo americano concluiu que determinadas políticas brasileiras prejudicavam empresas americanas do setor e afirmou expressamente que o país favoreceria seu “campeão nacional”, o Pix.

O contexto é importante.

O Pix é uma infraestrutura pública administrada pelo Banco Central que reduziu dramaticamente a necessidade de brasileiros utilizarem cartões, TEDs e outras formas de pagamento que envolvem intermediários privados.

Para um freelancer que cobra R$ 500 de um cliente, um vendedor ambulante ou um pequeno comerciante, receber por Pix pode significar receber instantaneamente sem pagar as taxas normalmente associadas às maquininhas de cartão.

Isso naturalmente altera o mercado das empresas privadas de pagamentos.

E algumas das maiores são americanas.

Trump pressionou o Brasil por causa do Pix

A investigação da administração Trump não determinou simplesmente uma “taxa sobre o Pix”.

O que ocorreu foi diferente.

O governo americano argumentou que determinadas políticas brasileiras relacionadas aos pagamentos eletrônicos prejudicavam empresas americanas concorrentes.

Em julho de 2026, a administração Trump acabou impondo tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros dentro do processo da Seção 301, que envolvia não apenas pagamentos digitais, mas também tarifas comerciais, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Portanto, dizer que Trump simplesmente “taxou o Brasil por causa do Pix” também seria uma simplificação.

Mas é fato que o Pix entrou formalmente na disputa comercial entre os dois países.

E qual foi a posição de Flávio Bolsonaro?

Aqui aparece uma situação particularmente interessante.

Flávio Bolsonaro defende uma aproximação política e diplomática maior com os Estados Unidos de Donald Trump.

Mas, quando participou das audiências da investigação americana em Washington, em julho de 2026, tomou posição contrária aos interesses americanos especificamente nessa questão.

Flávio afirmou:

“O Pix não é um problema a ser resolvido, é uma solução.”

Também argumentou contra as tarifas americanas.

Portanto, não existe hoje evidência para afirmar que Flávio Bolsonaro pretende taxar o Pix para beneficiar Visa, Mastercard ou bancos.

Fazer essa afirmação transformaria uma hipótese política em fato.

Mas existe uma pergunta legítima para sua candidatura.

Se um eventual governo Flávio Bolsonaro pretende aprofundar o alinhamento com Trump e, ao mesmo tempo, o governo americano considera o Pix prejudicial aos interesses comerciais de empresas dos Estados Unidos, como esse conflito seria negociado?

Porque aqui os interesses não são abstratos.

De um lado estão empresas privadas internacionais de pagamentos.

Do outro, existe uma infraestrutura brasileira utilizada por mais de 170 milhões de pessoas.

E qualquer mudança que encarecesse transações via Pix atingiria justamente quem mais depende dele: consumidores, MEIs, freelancers e pequenos negócios.

Até agora, porém, a posição pública de Flávio Bolsonaro é de defesa do sistema brasileiro — e qualquer análise crítica precisa reconhecer isso.

O verdadeiro problema de transformar Milei em modelo

A questão, portanto, não deveria ser apresentada como uma escolha simples entre “Milei salvou a Argentina” e “Milei destruiu a Argentina”.

Os números não sustentam nenhuma dessas caricaturas isoladamente.

A inflação caiu brutalmente.

O equilíbrio fiscal melhorou.

A pobreza inicialmente explodiu e posteriormente caiu para níveis inferiores aos encontrados antes de Milei assumir.

Ao mesmo tempo, o desemprego está acima do nível de 2023, a indústria apresenta dificuldades e parte significativa da população continua em situação de pobreza.

É exatamente essa mistura de resultados que torna problemática a ideia de transformar a Argentina em modelo pronto para o Brasil.

O brasileiro precisa saber muito mais do que quantas normas serão eliminadas ou quantos bilhões serão cortados.

Precisa saber quem perderá renda, quais serviços sofrerão cortes, quais setores serão expostos à concorrência externa, quais subsídios desaparecerão, quais regulações serão eliminadas e quanto tempo a população teria de suportar os efeitos de um eventual choque econômico antes que os benefícios prometidos aparecessem.

A Argentina demonstra que reduzir inflação e colocar contas públicas em ordem pode produzir benefícios reais.

Também demonstra que uma política econômica não pode ser avaliada exclusivamente pela planilha do Ministério da Economia.

No final das contas, existe uma estatística que nenhuma campanha deveria conseguir esconder atrás de expressões como “tesouraço”, “revogaço” ou “motosserra”:

como essas decisões chegam ao bolso e à mesa das pessoas.

FAQ

Flávio Bolsonaro disse que vai copiar Javier Milei?

A formulação mais precisa é que sua equipe econômica declarou que pretende se inspirar em reformas implementadas pelo governo Milei. Não há, até setembro de 2026, anúncio de reprodução integral do programa argentino.

O que Flávio Bolsonaro pretende fazer inspirado em Milei?

Entre as propostas mencionadas pela coordenadora econômica Daniella Marques estão revisão de mais de mil normas infralegais, redução da burocracia e ajuste fiscal. A equipe também afirma que pretende preservar programas sociais.

A economia argentina melhorou com Milei?

Alguns indicadores melhoraram significativamente, sobretudo inflação e resultado fiscal. Outros apresentam dificuldades. A produção industrial caiu 5% em julho de 2026 na comparação anual e o desemprego estava em 7,8% no primeiro trimestre.

A inflação argentina caiu?

Sim. O índice oficial registrou inflação mensal de 1,7% em agosto de 2026, uma redução muito expressiva em relação aos níveis observados no início do governo Milei.

O Brasil poderia adotar as mesmas políticas da Argentina?

Políticas específicas podem ser discutidas individualmente, mas Brasil e Argentina possuem estruturas econômicas e condições macroeconômicas diferentes. O efeito dependeria do desenho concreto das medidas adotadas no Brasil.