O caos começa quando tudo entra na mesma conta
Você faz um job, recebe via Pix e já paga o aluguel, o mercado, o Uber, o almoço, os boletos… e nem percebe que está misturando tudo. Quando vai ver, o dinheiro “da firma” evaporou — e não sobrou nem pra pagar o imposto.
Se isso parece familiar, respira. Separar finanças pessoais e profissionais é o primeiro passo para virar um freelancer de verdade — com gestão, lucro e menos dor de cabeça.
A seguir, o guia prático pra te ajudar a fazer isso sem complicação.
Por que separar as contas?
Misturar tudo é um prato cheio para:
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Gastar sem saber o quanto pode
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Achar que teve lucro quando não teve
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Não guardar dinheiro pra imposto, férias ou emergências
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Viver no limite mesmo faturando bem
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Não conseguir crescer por falta de controle
Separar o que é da empresa (você como prestador de serviço) do que é seu (você como pessoa física) te dá clareza e controle. E isso muda tudo.
Passo 1: Abra uma conta bancária separada
Você não precisa abrir uma conta PJ logo de cara (embora seja o ideal se já tem CNPJ), mas precisa de uma conta só para o trabalho. Pode ser uma conta digital gratuita, como:
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Nubank PJ (se for MEI)
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Inter, C6 Bank, PagBank ou Neon
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Conta PF extra, em outro banco
O importante é: todo dinheiro que vem de cliente entra ali. E dali sai só o que for despesa da atividade profissional.
Passo 2: Estabeleça seu “salário”
Você é o chefe e o funcionário. Então se pague.
Defina um valor fixo para transferir da conta profissional para sua conta pessoal, como se fosse um salário:
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Pode ser semanal, quinzenal ou mensal
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O valor deve cobrir seus custos de vida (mas não pode consumir todo o faturamento)
Isso evita gastar o que você ainda precisa guardar para impostos, ferramentas, imprevistos ou férias.
Passo 3: Organize suas despesas por categoria
Divida os gastos profissionais e pessoais em categorias claras:
Pessoais:
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Aluguel
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Alimentação
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Transporte pessoal
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Lazer
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Plano de saúde
Profissionais:
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Internet
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Softwares e ferramentas
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Cursos e capacitações
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Equipamentos
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Contador
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Impostos e tributos
Você pode usar apps como Mobills, GuiaBolso, Notion ou até planilhas do Google para acompanhar isso.
Passo 4: Guarde um valor fixo para impostos
Freelancer não tem desconto na fonte. Então o ideal é reservar entre 6% e 20% de cada pagamento recebido para pagar:
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Imposto de Renda (Carnê-Leão ou Simples Nacional se for MEI/ME)
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INSS (como contribuinte ou MEI)
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ISS (caso sua cidade cobre)
Crie uma reserva de tributos numa conta separada. Assim, você não se desespera em abril.
Passo 5: Crie uma reserva para períodos sem job
A vida do autônomo tem altos e baixos. Por isso, separe parte do que recebe para:
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Férias (mesmo que sejam 10 dias parados por ano)
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Meses mais fracos
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Investimentos no negócio
Comece com 5% ou 10% de cada entrada e vá acumulando. Isso evita entrar no cheque especial ou parcelar fatura por falta de planejamento.
Passo 6: Faça retiradas com disciplina (e sem fatiar tudo)
Nada de “vou pegar só esse Pix rapidinho da conta do trampo pra pagar um lanche”. Essa é a armadilha.
Quanto mais disciplinado for em manter as contas separadas, mais clareza vai ter sobre:
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Quanto seu negócio realmente fatura
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Quais são seus custos
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Qual é seu lucro real
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Se dá pra contratar ajuda, investir em marketing, etc.
Passo 7: Formalize quando fizer sentido
Se você já está recebendo com frequência, vale considerar:
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Abrir um CNPJ (MEI ou ME)
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Usar conta PJ (com Pix de chave CNPJ)
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Emitir nota fiscal
Além de facilitar parcerias com empresas, isso te ajuda a pagar menos imposto de forma legal e aumentar sua credibilidade.
Conclusão: separar é liberdade, não prisão
Separar o que é do trabalho e o que é seu não é burocracia, é maturidade financeira.
Quando você entende seu fluxo de caixa, sabe quanto pode gastar, quanto precisa guardar e como crescer com mais segurança.
Lembre-se: você é o negócio. E negócios precisam de gestão.
FAQ – Perguntas frequentes
Sou MEI, posso usar minha conta pessoal para tudo?
Pode, mas não é o ideal. Mesmo como MEI, o recomendado é usar conta separada para controlar melhor o fluxo de caixa e emitir boletos com seu CNPJ.
Posso receber como freelancer sem emitir nota?
Sim, mas se o cliente for empresa, ele pode exigir nota. E quanto mais profissional você for, mais confiante será para cobrar o que merece.
E se meu cliente só pagar em dinheiro ou na minha conta pessoal?
Registre essa entrada como profissional e transfira para sua conta de trabalho. O importante é organizar e manter rastreável.
